Posts ‘Adriano Neto’
Entrevista Adriano Neto e José Henrique a Revista Hobby News
Hobby News entrevista a dupla após sua ótima classificação no campeonato International Extreme Flight Championships, realizado em Muncie, Indiana, (EUA) nos dias 11, 12 e 13 de junho de 2010.
HobbyNews: O Extreme Flight é tido como um dos campeonatos mais seletivos de todo o mundo. Como os irmãos conseguiram uma vaga este ano?
José Henrique
– Qualquer piloto RC, seja aero ou heli, que quiser competir, deve primeiro enviar um vídeo, de acordo com as instruções fornecidas no site http://www.futaba-rc.com/xfc-rc/. Após uma rigorosa análise, se for considerado que o piloto demonstrou boa técnica e domínio da máquina, este pode vir a ser convidado a participar do XFC representando seu país, bastando para isso que a documentação do atleta esteja rigorosamente em dia. O nível de exigência e habilidade é o mesmo de outros campeonatos bem difíceis como, por exemplo, o 3D Masters (Heli) ou o IMAC 3D Championship (Aero).
HobbyNews: Por que a escolha do XFC e quais empresas patrocinaram a ida de vocês aos EUA para competirem?
Adriano Neto
– Acompanhamos as edições do XFC pela internet já faz algum tempo, o desejo de voar por lá era antigo. Resolvemos ir “meio em cima da hora”, após termos nossos vídeos aprovados. Passaportes, vistos e documentação em dia, embarcamos contando com o apoio fundamental da M.M Modelismo, nossa equipe e patrocinador oficial.
HobbyNews: Vocês eram dois brasileiros em meio a uma turma de feras norte-americanas. Como foi a chegada e recepção da dupla em Muncie, Indiana? (N.E – Muncie está localizada a 100 milhas da cidade e pista de Indianápolis)
José Henrique & Adriano Neto
– Existe um evidente predomínio norte-americano, isso em uma competição considerada de ponta, com excelentes pilotos de todo o mundo querendo participar. Novatos chegando de fora não vão conseguir grandes resultados por lá sem antes suarem bastante a camisa para seduzirem os juízes, em sua maioria, americanos também. Para os pilotos obterem boas colocações, todo um trabalho deve ocorrer, e isso significa tempo. Os juízes levam muito em conta as estatísticas de cada um, sua experiência e histórico de realizações. Funciona como uma conquista territorial, você tem de “marcar seu espaço” primeiro. Mas é uma carga de experiências excelente, vamos tentar passar para os pilotos no Brasil o que aprendemos por lá nesta primeira participação. Ouvimos muitas e honestas palavras de incentivo dos juízes e pilotos com quem voamos, e consideramos isto como algo de muito positivo na nossa evolução. Vão nos observar melhor na próxima vez, com certeza.
HobbyNews: Muito se fala no mito da “superioridade técnica” e do “melhor equipamento” dos gringos em competições internacionais de aero e heli. Vocês sentiram essa pressão em Muncie?
José Henrique
– Após retornar da competição, o que tenho conversado com os outros pilotos e amigos aeromodelistas aqui no Brasil é: Vamos parar de pensar assim. Colocamos os gringos, os pilotos top do aeromodelismo numa aura inalcançável de habilidade, equipamento e poder mental para vencer competições, isso não retrata mais a realidade atual, que é de muito treinamento, disciplina e profissionalismo por parte dos americanos, e de resto, de qualquer piloto realmente bom, para se chegar nos resultados e vitórias. Vi gente voando por lá com equipamento tecnicamente inferior ao meu, mas o dedo, os comandos é que contam, e isso vale para todos. Podemos sim competir de igual para igual, ou mesmo superá-los. Questão de treino e vontade, e para isso, a língua que se aprende a falar é universalmente conhecida, não tem erro. O que é diferente por lá é a forma de se ver o esporte. Para eles não é um simples hobby, é trabalho sério e ganha pão.
Adriano Neto
– As experiências sempre mudam a nossa cabeça. Depois de ver os voos no XFC, muita coisa que eu planejava treinar, acabei optando por abandonar. E outras coisas que não conhecia, passei a treinar. O XFC é “o lugar” para você somar pontos valiosos de experiência no seu currículo de helimodelista. Tanto que a revista oficial do evento lista os pilotos pelo tempo de vôo e participações na competição. O que aqui no Brasil é um hobby, para eles é atividade profissional com carteira de trabalho assinada e tudo, é uma obrigação o cara vencer. Quando conversamos com os pilotos, e na troca de informações eles ficam sabendo que temos outras atividades, e o helimodelismo é para nós uma prática informal, um hobby, eles se espantam. No Brasil a relação de mercado no modelismo giram em torno de distribuidores e lojistas/revendedores, não se conhece piloto por aqui que sobreviva somente dos voos. Nos EUA os pilotos vivem de seus voos em competições e apresentações, na carteira de trabalho do cara está escrito “Piloto Oficial de Helimodelismo”, etc. E concordo com meu irmão, não existe segredo debaixo de carenagem, nem engrenagem mágica, o que existe é treino, técnica, dedo e disciplina.
HobbyNews: Qual foi a colocação final de cada um no campeonato e quais as próximas competições que a dupla pretende participar?
José Henrique & Adriano Neto
– Ambos ficamos em 9º lugar na classificação final (Adriano Neto anotou 863 pontos em 1000 possíveis) e em algumas baterias quase conseguimos um pódio, o que entendemos ser uma ótima estréia. Vamos retornar em 2011 para o XFC, e também esperamos competir em Tucson (José Henrique) e no 3D Master (Adriano Neto). Quem sabe, talvez venham por aí algumas bandeiras do Brasil no pódio, se Deus quiser!


